Opinião: A Todos os Rapazes que Amei, de Jenny Han

 

A todos os Rapazes que Amei
de Jenny Han 

Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 272
Editora: TopSeller 




 Resumo: 
«Guardo as minhas cartas numa caixa de chapéu verde-azulada que a minha mãe me trouxe de uma loja de antiguidades da Baixa. Não são cartas de amor que alguém me enviou. Não tenho dessas. São cartas que eu escrevi. Há uma por cada rapaz que amei — cinco, ao todo.
Quando escrevo, não escondo nada. Escrevo como se ele nunca a fosse ler. Porque na verdade não vai. Exponho nessa carta todos os meus pensamentos secretos, todas as observações cautelosas, tudo o que guardei dentro de mim. Quando acabo de a escrever, fecho-a, endereço-a e depois guardo-a na minha caixa de chapéu verde-azulada.
Não são cartas de amor no sentido estrito da palavra. As minhas cartas são para quando já não quero estar apaixonada. São para despedidas. Porque, depois de escrever a minha carta, já não sou consumida por esse amor devorador. Se o amor é como uma possessão, talvez as minhas cartas sejam o meu exorcismo. As minhas cartas libertam-me. Ou pelo menos era para isso que deveriam servir.»
Críticas de imprensa
«Lara Jean, a personagem principal, dá a esta história comovente um toque de originalidade e um charme muito próprio.»
Publishers Weekly

«Uma interpretação emocionante do crescimento e do amor jovem.»
Kirkus Reviews

Rating: 4/5
Opinião:"A Todos os Rapazes que Amei" fez um enorme furor por esta Internet fora quando surgiu. O título era sugestivo, a capa simpática - atrativa na sua simplicidade - e era um YA que falava de romance. Estavam portanto montadas todas as peças para que se tornasse num sucesso. Foi um livro que quis muito ler, e tive oportunidade de deitar-lhe a mão numa altura em que procurava uma leitura leve e descontraída. Lara Jean faz uma boa entrada neste livro ao não ser a típica personagem principal e ao constar no que se pode hoje chamar a iniciativa de livros pela diversidade. Com mãe de origem asiática e pai norte-americano, ficam resquícios culturais dos dois lados, colaborando para um livro mais completo e que aborda com naturalidade as aculturações e trocas existentes entre famílias constituídas por membros de vários contextos socioculturais.
É também uma menina doce, fácil de gostar, com os desafios inerentes à idade e com uma perspetiva da vida ainda um tanto imatura, por mais que seja melhor desenvolvida que a maioria de jovens da sua idade. O envolvimento com as personagens que a rodeia é delicioso e também o principal motivo pelo qual este livro é tão banal, mas fica guardado connosco e deixa um sorriso após o seu término.
Voltando à premissa, que na sinopse portuguesa pode não ser exactamente clara, Lara Jean vê a sua tradição de endereçar cartas (que nunca deverão ser recebidas) aos rapazes de quem gostou rompida pela intervenção de alguém que as envia aos destinatários. A partir daí, perante o terror de se ver exposta a todos os que rapazes de quem gostou (especialmente ao que gosta e não pode ter) e as necessidades de lidar com o quotidiano de uma irmã mais nova mais dependente de si, um pai distraído e uma irmã mais velha acabada de se mudar para a Escócia, Lara Jean acaba por enfrentar desafios inesperados e que a colocam em confronto com os seus medos, ideais e sonhos.
Com leveza e curiosidade, vemos desvendada a sua realidade familiar e escolar (sendo que este universo poderia ter sido ainda mais explorado, atendo a que ela é uma estudante de ensino secundário e vários momentos decorrem dentro do espaço escolar), mas também o universo das amizades.
Gostei especialmente da forma como se encararam as relações humanas, num livro feito para sonhar mas com um certo nível de realismo. De facto, abordam-se as noções de perdão, de descoberta, de solidão, de amizade e amor, da força dos laços fraternais e do poder de cura que um abraço pode ter. Mas também se evidencia que por vezes o que almejamos alcançar nos ultrapassa, ou até nem é certo para nós, e que exige portanto capacidade de nos reinventarmos e lidar com os problemas com frontalidade e realismo.
No fundo, as estórias paralelas, como a da sua irmã e John, também contribui para esse aspecto, demonstrando que nem sempre as relações terminam por algo terrível, e que nem tudo é preto no branco, pelo que as amizades pode perdurar para além do imaginário.
É um livro doce, com humor, muito romance, mas acima de tudo, a exaltação de relações positivas e de amizades contínuas.


 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

1 leitores reagiram:

  1. Olá!

    Já vi muitas opiniões sbore este livro. Estou a gostar :) Talvez o inclua na minha lista.

    Beijinhos e boas leituras.

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