Opinião: A 5ª Vaga, de Rick Yancey

A 5ª Vaga
de Rick Yancey 

Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 400
Editora: Editorial Presença 





Resumo: 
A 5ª Vaga, o volume que dá início à trilogia com o mesmo nome, é uma obra-prima da ficção científica moderna. É um épico extremamente original, que nos apresenta um cenário de invasão extraterrestre do planeta Terra como nunca antes foi escrito ou sequer imaginado. Nesta narrativa assombrosa, uma nave extraterrestre fixa-se na órbita da terra, à vista de todos mas sem estabelecer qualquer interação. Até que, subitamente, uma gigantesca onda eletromagnética desativa todos os sistemas da Terra, e todas as luzes, comunicações e máquinas deixam de funcionar. A esta primeira vaga seguem-se outras, num crescendo de violência que devasta grande parte da humanidade.

Será este o fim da existência humana sobre a Terra? Haverá ainda alguma salvação possível? A 5ª Vaga é um thriller de alta voltagem, com todos os ingredientes para se tornar um grande clássico da literatura fantástica universal.

- Finalista na categoria de Fantasia para Jovens Adultos: Goodreads Choice Awards, 2013
- Finalista dos Children´s Choice Book Awards na categoria Teen Book of The Year 2014


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Rating: 4,5/5 

Opinião: Como é que eu não tinha lido isto antes? Como é que eu não tinha lido isto antes? Como é que eu não tinha lido isto antes? Não, de facto não são erros de tipografia. Estou de facto estupefacta com este livro, o que é dizer muito!
Começo por dizer que todas e quaisquer estórias que possam estar à espera de ver descritas ou criadas, já foram inventadas. Hoje em dia é muito complicado imputar um ponto de pura originalidade na literatura, porque os enredos são os mesmos de muitos, só com novas personagens, contextos e perspetivas. Nessa perspetiva, o misticismo das invasão extraterrestre não é novidade e tem sido explorado pelo mundo literário e cinematográfico nas mas mais variadas formas, desde o invasor simpático à procura de voltar para casa até ao exterminador implacável capaz de devastar a Humanidade em prol de uma destruição massiva ou ocupação de um planeta apetecível. Seja o que for, não estava por aí além curiosa com este livro. A ideia de repetição pairava-me na cabeça cada vez que lia a sinopse e parecia-me um livro a saltar. Mal posso dizer como estava enganada e estou tão arrependida por não me deixar vencer às evidências mais cedo! A 5ª Vaga abre o ano de 2015 com uma experiência de leitura fantástica e justifica todos os reconhecimentos literários que lhe têm sido atribuídos dentro do género literário dos jovens adultos (YA), especialmente em 2013 através do Goodreads (que ainda valendo o que vale, é para mim um dos prémios mais significativos de reconhecimento do trabalho de um autor, nem que seja pelas massas que o seguem e classificam positivamente os seus livros).
Para começar, está muito bem escrito: corrente, com linguagem acessível, atractiva e estimulante, tem a capacidade de nos agarrar desde a primeira página e nos obrigar a continuar a virá-las a uma velocidade vertiginosa (não descansei enquanto não lhe vi o fim!).
Rick Yancey tem um sentido de humor soberbo que soube passar para as suas personagens e dei por mim a rir com um livro que não tinha esse propósito. Ainda assim, foi impossível não reagir ao sarcasmo das personagens e ao humor negro de sobrevivente que já não tem com o que rematar a devastação pela qual está a passar senão com um humor quase que mórbido mas tão adequado (nunca me vou esquecer do urso para "matar extraterrestres com miminhos", entre outras. Assim pode não ter piada, mas no contexto vão ver como são excepcionais) que não se pediria diferente. Este é sem dúvida um dos pontos mais fortes no livro.
Todas as vozes são muito humanas, reais, complexas, com nuances e derivações: a nenhuma personagem é negada a fragilidade do equilíbrio entre o bem e o mal, entre a necessidade do sacrifício e da realização de acções impensáveis que garantam a sobrevivência, à capacidade de magoar e de destruir mas também de arriscar por uma única vida, de combater o medo, a loucura, a falta de esperança com recobros de força, destreza e vontade. Adorei cada uma delas, desde a Cassie (que é uma proganista espectacular, a anexar à minha lista de preferidas) - lutadora de mão cheia, com garra, um toque lunático derivado da situação que se encontra a viver mas com vontade de encarar as adversidades de frente; ao Ben - atormentado pelos fantasmas do passado, com valores justos e correctos, e uma esperança de morrer convicto aos seus valores; o pequeno Sammy -que só apetece aconchegar no colo e retirar do sonho mau que a criança vive até ao Evan - complexo, com muitas camadas e nuances, mistérios mas simultaneamente tão claro e transparente que é impossível não vê-lo e senti-lo.
Outro dos pontos de originalidade do livro passa pela apresentação directa de todos os dados do jogo. Em nenhum momento nos julgamos com falta de ferramentas ou em certa parte entediados com aquelas reviravoltas que nunca chegam a sê-lo porque já as desvendámos desde o início. Rick Yancey diz-nos exactamente o que estamos a ver, sem nos fazer perder o interesse em acompanhar o desenrolar da estória e das interligações de personagens, e que talvez por isso se tornam mais próximas do leitor. É uma vantagem poder ler estas evoluções e cria sem dúvida uma surpresa pelo factor de diferença.
Quanto à temática principal, não estava à espera de gostar tanto, sinceramente. Mais uma vez, não é um tema que já não tenha sido explorado de todos os ângulos e perspectivas, mas conseguiu cativar por não querer ser demais mas atribuir o nível certo de mistério, angústia, medo e devassidão necessários. A ideia das ondas é intrigante assim como da pré-selecção que ocorrerá a meio do livro e sobre a qual não irei falar. No entanto, restaram-me algumas questões que não sei se serão falhas do autor neste primeiro livro (e que virão justificadas nos próximos) ou "acasos" colocados propositadamente na nossa frente para despertar a atenção dos leitores para o desenrolar da trama nos próximos dois livros. Em todo o caso, fiquei sem entender algumas justificações e tenho aqui algumas dúvidas para partilhar com quem já leu este livro, pelo que quem já o tiver feito, por favor contactem-nos por mensagem privada por facebook! Quero muito debater a questão do "vermelho" e "verde" - quem já leu perceberá.
Para os restantes que adoram o género YA: comprem, peçam emprestado, procurem na biblioteca local, não interessa - simplesmente corram a ler este livro.

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

4 leitores reagiram:

  1. Fiquei com curiosidade em relação a esse livro, dever ser fantástico.
    Boas leituras
    CriArte a Ler

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    1. Quando acabar, avise CriArte. Quero mesmo comentá-lo com alguém!

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  2. Meu Deus, vi só agora que tinham revisão deste livro, vou-te dizer uma coisa, parecia que esta opinião tinha sido feita por mim.
    Peguei neste livro para ler, sem saber bem para onde ia, não sou de ler revisões ou apresentações antes de ler. Gosto da surpresa, de ler sem ser influenciada. Só sabia que era YA e eu como sou uma adulta jovem e como adoro este estilo, lá fui pedir este livro à minha irmã (que ainda não o leu). Começo a ler e é literalmente aquele livro que eu digo, não conseguia parar de ler, literalmente não conseguia mesmo.
    Sabes que vai haver um filme? Só estreia para o ano e já estou curiosa, e ainda este ano editam o 2º livro.

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    1. Olá Joana,

      Ainda bem que gostaste! Sim, sabíamos que vai haver filme, sempre que forem surgindo teasers e trailers vamos publicando por lá! ;) Entretanto, envia-me uma mensagem pela página de Facebook do Encruzilhadas Literárias. Tenho aqui umas questões que gostava de debater :D

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