Opinião: A Ilha das Quatro Estações, de Marta Coelho



A Ilha das Quatro Estações

de  Marta Coelho
 
Edição/reimpressão: 2017
Páginas: 424
Editor: Clube do Autor
  




Sinopse: 
Aqui não são permitidos telemóveis, computadores nem tablets. Só te resta viver. Onde todos os sonhos são possíveis.
Este é o livro com que todos os jovens se conseguem identificar, uma história atual e relevante sobre os receios, as paixões, as fragilidades e a força de quatro jovens à procura de um novo rumo.
Cat sentia-se sem rumo e não queria ver ninguém.
Tiago só desejava poder voltar a viver como antes.
Misha isolara-se do mundo à sua volta.
Rute precisava de vencer uma batalha muito dolorosa.
Os seus caminhos cruzam-se na ilha e, juntos, preparam-se para enfrentar os seus demónios pessoais. Mas há quem tenha outros planos para eles… Será que a tua vida pode mudar quando tudo parece correr mal?


Rating: 2,75/5
Comentário: "A Ilha das Quatro Estações" foi lido durante o verão, em plena época de praia e calor, como a capa do livro aludia. Esta sinopse prometia, especialmente porque criava uma aura de mistério, um livro de acção, descoberta, e muitos segredos para ser desvendados.
O que me seduziu foi o contexto e ambiente do livro. A ilha isolada, como "centro de recolha" de adolescentes com vidas ou passados problemáticos, a proibição de contacto com o mundo exterior, o desafio de serem colocados à prova perante os seus temores individuais... Passada a leitura, esta ilha continua a parecer-me interessante, mas muito pouco explorada. O facto de turistas circularem pelo mesmo espaço dos jovens e de não se aprofundar o funcionamento do programa e a assimilação da presença de dois públicos separados (para além de uma explicação relativamente às tarefas diárias dos participantes) soou-me a pouco.
As personagens são engraçadas, e apreciei o facto de serem abordados temas tão diferentes como a perda, a violência doméstica, a depressão e o stress pós-traumático. Ainda assim, acho que qualquer uma destas valências merecia um maior destaque em detrimento do romance, que acabou por ocupar um espaço excessivo no enredo, pelo menos ao nível da sua representação.
Algumas das relações com as personagens secundárias pareceram-me um pouco inverosímeis, e apesar das interacções daí resultantes contribuírem para o desfecho (que de alguma forma, já esperava mas fiquei satisfeita por ver acontecer) senti-as um pouco montadas sem grande estrutura.
Este grupo de adolescente ganha por não funcionar segundo uma tipologia padrão, com espaço para definirem características individuais e crescerem à medida que as páginas vão avançando, e espera-se que o próximo livro lhes fala jus e ajude a delimitar ainda mais a sua individualidade.
Por fim, não deixa de ser um livro leve e que se lê rapidamente, com potencial de entretenimento. Infelizmente não me senti rendida a 100%, porque procurava algo diferente (isso ou cada vez mais não me encaixo neste discurso adolescente). Ainda assim, julgo que Marta Coelho venha a gastar espaço no género Young-Adult em Portugal e vejo-a a encaixar-se num registo que siga a minha linha da Maria Teresa Maia Gonzalez, embora com uma abordagem mais leve.



 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

Opinião: Uma Estranheza em Mim, de Orhan Pamuk


 
Uma Estranheza em Mim

de 
 
Edição/reimpressão: 2016
Páginas: 640
Editor: Editorial Presença
  



Sinopse: 
O novo romance de Orhan Pamuk combina uma história de amor marcante com um retrato muito pessoal de Istambul e das profundas mudanças aí ocorridas entre 1969 e 2012.

Mevlut viu-a apenas uma vez e foi o suficiente para se apaixonar. Após 3 anos de cartas enviadas em segredo, decidem fugir. A escuridão da noite auxilia a fuga mas a luz de um relâmpago revela um engano terrível que os marcará para sempre.

Chegados a Istambul, Mevlut decide aceitar o seu destino seguindo os passos do pai. Todas as noites vende boza, uma bebida tradicional turca, esperando um dia enriquecer. Durante 4 décadas acompanhamos Mevlut pelas ruas de Istambul, o seu olhar face às alterações que ocorrem e as diferentes pessoas com quem se cruza.

Uma Estranheza em Mim, do autor Prémio Nobel da Literatura, foi candidato ao Man International Book Prize 2016.  Excerto
 
Rating: 3,5/5
Comentário:  "Uma Estranheza em Mim" foi a minha estreia com Orhan Pamuk. Deixei-me inicialmente ser envolvida pelo título, tão peculiar, e depois pela sinopse. Quem nos segue há uns tempos já sabe que é fácil deixar-me seduzir por sagas familiares, especialmente quando passadas em países diferentes dos que habitualmente aparecem retractados.
Pamuk traz-nos a transformação de um mundo visto pelo olhar de homem simples ao longo de três gerações, enquanto que simultaneamente nos arrasta pela transformação estrutural que sofre Istambul - a cidade, mas que também se torna em Istambul - a personagem, ao longo de quatro décadas.
Melut é um rapaz simples, sonhador, mas também muitas inconstâncias, que parte para Istambul com o pai, de forma a dar seguimento ao negócio familiar de venda ambulante de Boza, que lhes permite sustentar a família que se mantém na aldeia natal.
É a partir deste momento que se denotam os contrastes, da vivência de uma aldeia para a cidade, da cidade em si e das suas diversas regiões, dos actores que nela residem e que determinam o seu comportamento e desenvolvimento.
O enredo é transmitido paralelamente na primeira pessoa, mas também como sendo uma crónica, um relato documental do que foi a vida desta família. Todas as personagens que a determinada altura assumem o papel de narrador interpelam directamente quem as lê, rompendo a quarta dimensão. É um elemento original, que contrasta com os romances do género, trazendo-nos a verdadeira essência de uma família: a mesma história, várias versões, atropelos na narrativa, várias versões, segredos e intrigas.
Alguns dos dilemas existenciais destas personagens acompanham-nos desde a primeira à última página, ao longo de todos os anos da sua existência. São instâncias que fazem parte da sua personalidade e definem o ADN que lhes dá voz. Sem estas problemáticas, o que cada uma representa e as suas relações interpessoais não seriam as mesmas. Há os direitos de propriedade de um terreno, há umas cartas direccionadas a uma irmã (que poderia ou não ser a destinatária original), há o futuro dos vendedores de rua, do ser um bom muçulmano e/ou um bom turco, de respeitar a moral e a ordem familiar, do que é estar vivo e ter uma certa estranheza em nós.
Como já tive oportunidade de referir, a cidade de Istambul ganha um destaque bastante relevante, ao ponto de por vezes não se entender bem se lemos uma história que se passa pela cidade ou se vemos a história da cidade a ser representada pelos que vivem nela. As alterações dos bairros, os movimentos sociais que as impulsionaram, a ida e vinda de grupos minoritários à medida que as relações diplomáticas do país se vão alterando, a diminuição do espaço de vivência da rua como era, a proliferação exótica dos vendedores de boza tradicionais, são todas marcas da mesma moeda, que realçam o fervilhar que conduz esta narrativa.
Foi uma história em que gostei de emergir e descobrir aos poucos, já que o facto de não se evidenciar realmente uma parte dos elementos neste cenário complexo e diversificado, por vezes dificultou a criar uma conexão mais próxima durante a leitura.
Ainda assim, foi uma estreia brilhante com este autor, e já tenho mais uns três na calha para dar continuidade a esta exploração de Istambul perante o olhar acutilante e a consciência moral de Orhan Pamuk.



                                          Foto: Editorial Presença



 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

Rentrée Grupo BertrandCírculo



Rentrée marcada pela divulgação de mais de 80 livros

Revela ainda a presença de Dan Brown e António Damásio em Lisboa para apresentações dos novos livros
Lisboa, 5 de setembro de 2017 – O Grupo BertrandCírculo, composto pela Bertrand, Quetzal Editores, Temas e Debates, Círculo de Leitores, Contraponto, Pergaminho, ArtePlural, GestãoPlus e 11x17, apresenta os livros com publicação prevista até ao final do ano. O Grupo inclui ainda na agenda a vinda de autores a Portugal: Dan Brown, António Damásio, Pedro Siqueira e Ivan Jablonka estarão em Lisboa para a promoção dos seus livros.














Na ficção, em setembro a Bertrand Editora publica «Nada», de Janne Teller, publicado em mais de 30 países e inicialmente proibido na Dinamarca, país no qual hoje é de leitura obrigatória. Por muitos considerado um clássico contemporâneo, comparado ao «Deus das Moscas», não só foi vencedor de inúmeros prémios internacionais, como inspirou várias adaptações ao teatro e ópera. «Nenhuma Verdade se Escreve no Singular» é o romance de estreia de Cláudia Cruz Santos. Acompanhando uma relação tocante entre uma juíza e a criança que esta acolhe, este livro confere uma perspetiva multifacetada sobre o passar do tempo e o confronto com as expectativas frustradas. Fruto da larga experiência da autora na área da justiça, o livro expõe um retrato vívido dos tribunais, com personagens complexas, cenários incertos, e uma figura central aparentemente decidida e emancipada mas simultaneamente hesitante e carente. No mês seguinte, será publicado um dos livros mais esperados do ano: «Origem», de Dan Brown, chegará às livrarias em português a 4 de outubro, e está já em pré-venda. O novo romance espantosamente inventivo do autor de thrillers mais popular do mundo acompanha Robert Langdon numa viagem emocionante e viciante pela arte moderna e símbolos enigmáticos em busca da verdade, em várias cidades espanholas. O autor apresentará o seu livro em Lisboa, na tarde de 15 de outubro, no Centro Cultural de Belém. 

Neste mês, chegará às livrarias o novo volume das Crónicas dos Clifton, de Jeffrey Archer, «Chegada a Hora». Em novembro, a Bertrand Editora lança «Despertar», que servirá de base para uma tertúlia a 9 de novembro, na FNAC Colombo, sobre o universo de Stephen King. Também os mais novos poderão encontrar várias novidades nas livrarias portuguesas: A coleção Toca, Criança – para bebés regressa com mais dois volumes, «As Cores» e «As Formas», como um meio divertido e estimulante para ajudar pais e bebés nos primeiros passos da aprendizagem. Também em setembro será publicado o livro mais aclamado do autor norte-americano Jack London. «O Apelo Selvagem» é uma referência da literatura juvenil, inserindo-se esta nova edição numa coleção de clássicos imperdíveis. Com um protagonista improvável, um possante e destemido cão, revela-se uma grande história de aventuras que nos dá a conhecer uma época dura na história da América do Norte. Jodi Picoult terá um novo romance. A autora nº1 do New York Times lança, com a sua filha, Samantha van Leer. «Saído de um Conto de Fadas», a sequela de «Entre as Linhas», é uma história juvenil que encantará leitores de todas as idades.

Relativamente a livros de não-ficção, a Bertrand Editora inicia a rentrée com Joseph E. Stiglitz, Prémio Nobel de Economia. «A Economia Mais Forte do Mundo», um livro inspirado pela crise de 2007/2008 e que propõe um plano para revitalizar a economia americana e promover a prosperidade global. Ainda em setembro chegará às livrarias «Laëtitia – Ou o Fim dos Homens», de Ivan Jablonka, um livro que encerra diversos registos e géneros - literatura, atualidade, investigação, história, sociologia e política – e que conta a história de Laëtitia, uma rapariga raptada, violada e assassinada em 2011 em França. Vencedor e finalista de vários prémios internacionais, este livro será promovido em Lisboa pelo autor nos dias 21 e 22 de novembro. «Portugal Visto pela CIA», da autoria de Luís Naves e com recolha de documentos por Eric Frattini, faz uma análise aos acontecimentos mais marcantes da História de Portugal no século XX, com linhas de interpretação que permitem entender as teias das relações internacionais que se forjaram entre Portugal e os Estados Unidos da América. O livro será lançado em Lisboa, na FNAC Chiado, a 14 de setembro, às 18:30. 


 Em outubro, a Bertrand Editora lança «Creta 1941», de Antony Beevor, livro que se foca na batalha por Creta e na resistência grega que depois se formou durante a Segunda Guerra Mundial, numa narração detalhada, envolvente e cuidada deste episódio singular do conflito. «Sombras – A Desordem Financeira na Era da Globalização» é o mais recente livro de Francisco Louçã, em coautoria com Michael Ash, professor de Economia e Política Pública norte-americano. Os autores analisam o estado atual da economia global e embrenham-se nos meandros da banca-sombra para explicar os desafios que enfrentaremos no futuro. Já em novembro, Mário Augusto levará novamente os leitores numa viagem ao passado com os novos apontamentos da «Sebenta do Tempo», no livro «Caderno Diário da Memória». Neste mês, Sílvia Oliveira lança «De Que Cor é o Medo - A biografia de Paulo Teixeira Pinto», um livro sobre a vida pessoal e profissional do ex-Presidente do BCP. Será também publicado «Da Lusitânia a Portugal: Dois mil anos de história», livro em que o Professor Diogo Freitas do Amaral nos oferece uma perspetiva sobre as dez fases da constituição da nação portuguesa naquela que é uma história acessível e rigorosamente documentada de Portugal, de Viriato aos dias de hoje; e «Lápides Partidas», de Aquilino Ribeiro, romance de inspiração autobiográfica passado durante os tempos conturbados que antecederam o regicídio e a instauração da República, continua a saga de Libório Barradas iniciada n’«A Via Sinuosa».

A Pergaminho receberá em Portugal Pedro Siqueira, autor de «Você Pode Falar com Deus», que chegará às livrarias portuguesas a 8 de setembro. Entre 18 e 21 deste mês, o escritor, advogado e professor de direito estará em Lisboa para falar do seu novo livro, no qual conta como o seu dom é agora a sua missão: ser um instrumento de ligação entre as pessoas e o mundo espiritual e ajudá-las a desenvolver a sua fé através das mensagens de santos, anjos e de Nossa Senhora. Ainda em setembro chegará «Longevidade com Felicidade», de Américo Baptista, um livro que ajudará os leitores a manter um corpo são e uma mente feliz, analisando alguns dos principais fatores que possibilitam prolongar a vida com qualidade e felicidade. Em outubro, estará disponível o livro «Ser Feliz no Alasca», de Rafael Santandreu. Após o sucesso dos livros anteriores, o psicoterapeuta e formador espanhol apresenta na sua nova obra um método cientificamente comprovado, que permitirá o leitor tornar-se numa pessoa emocionalmente mais saudável, forte e calma. Na mesma semana, os leitores de Augusto Cury, um dos autores de língua portuguesa mais lidos de todos os tempos, poderão encontrar nas livrarias mais um título seu: «Autocontrolo» apresenta um manual que explica como vencer a Síndrome de Pensamento Acelerado, revelando os segredos para gerir o stresse e para desenvolver o autocontrolo essencial para uma vida emocional saudável e plena. No início de novembro, «De Mãos Dadas com os Anjos», de Lorna Byrne, será um livro para a mesa-de-cabeceira dos seus leitores. Num relato íntimo dos seus primeiros encontros com anjos, a autora oferece descrições detalhadas de figuras celestes e de como elas interagem com Deus, também revelando pela primeira vez como as almas dos seres amados por vezes regressam para transmitir amor e orientação.
A Arteplural destaca o lançamento, em outubro, do terceiro livro de Rita Nascimento: «Uma Pastelaria em Casa» permite que os leitores transformem a sua cozinha numa pastelaria - um verdadeiro doce lar. Entre massas e cremes, a Chef de pastelaria e criadora de La Dolce Rita partilha as receitas dos clássicos mais deliciosos da nossa pastelaria, aplicando novamente o seu método de replicar uma receita para fazer vários bolos deliciosos em casa.

                                                     


Em setembro, a Temas e Debates lança «7 Lições para Ser Feliz», de Luc Ferry. Contrariando as receitas formatadas e as respostas simplistas, o autor propõe uma abordagem original, simultaneamente acessível e profunda, ao significado da felicidade nos nossos dias, tanto à escala do indivíduo, como da sociedade. Na segunda quinzena do mês, será publicado «A Internacionalização da Economia Portuguesa», de Nuno Crespo e Maria João Tomás, cujo lançamento acontecerá no XIII Iberian International Business Conference 2017 – ISCTE, a 19 de outubro. O livro, que reúne especialistas em várias áreas, de diversas escolas de negócios e universidades, bem como quadros superiores de empresas, questiona de que modos as empresas portuguesas poderão superar os desafios da concorrência e da capacidade para serem competitivas internacionalmente (na realidade, o livros mostra casos de sucesso de empresas portuguesas, na sua internacionalização, mesmo em tempos e crise. É quase um manual de “como aconteceu” e “como sobreviveram”). Na mesma semana, «A Invenção da Ciência», de David Wootton, conta a nova história da revolução científica. Neste livro, o professor catedrático e Anniversary Professor de História da Universidade de York conta a história da extraordinária revolução intelectual e cultural que gerou a ciência moderna e é um desafio poderoso à ortodoxia que domina essa história. Em outubro, ficará disponível «Tempo de Raiva», de Pankaj Mishra, um livro que recebeu os maiores elogios do The Guardian e do The Literary Review. O autor acredita que há uma ligação entre os atentados bombistas e atiradores do século XIX e os acontecimentos violentos dos dias de hoje, e neste polémico e subversivo livro o ensaísta e romancista indiano defende que se assiste a uma pandemia global de raiva. Ainda neste mês, estará disponível o livro «Moda e Feminismos em Portugal – O Género Como Espartilho», no qual a autora, Cristina L. Duarte, analisa a forma como a moda se tornou um fenómeno social total, um laboratório sociológico onde se ensaiam géneros, através do ritual (feminino/masculino) da apresentação de si. «O Caso da PIDE/DGS - Foram julgados os principais agentes da ditadura portuguesa?» é o mais recente livro de Irene Flunser Pimentel, a ser publicado também em outubro. Nesta obra, a autora continua o seu trabalho ímpar sobre o período da ditadura portuguesa, fazendo uma análise aos últimos dias da PIDE/DGS, e ao processo de justiça política relativa aos elementos deste braço da ditadura, na transição para a Democracia. O lançamento do livro acontecerá a 28 de outubro no Jardim de Inverno do Teatro São Luiz, em Lisboa, no âmbito do Congresso Memória e Justiça Transicional. Para fechar o mês na Temas e Debates, Valentim Alexandre lança o livro, «Contra o Vento - Portugal, o Império e a Maré Anticolonial (1945-1960)», o qual parte da vaga de descolonização e colapso dos vários impérios para analisar o caso nacional, estabelecendo um paralelismo entre a evolução do colonialismo português e o dos outros países europeus. O mês de novembro contará com o novo livro de António Damásio, «A Estranha Ordem das Coisas». Com lançamento previsto para 31 de outubro, às 10:30, na Escola Secundária António Damásio, esta obra notável do mais brilhante neurocientista e investigador português faz uma análise à vida, ao sentimento e às culturas humanas. O que levou os seres humanos a criar culturas, esse conjunto impressionante de práticas e instrumentos, onde se incluem a arte, os sistemas morais e a justiça, a governação, a economia política, a tecnologia e a ciência? A resposta habitual a esta pergunta remete para a nossa inteligência excecional, assistida por uma faculdade humana ímpar: a linguagem. Em «A Estranha Ordem das Coisas», António Damásio proporciona uma resposta diferente. Segundo o neurocientista, os sentimentos – de dor, sofrimento ou prazer antecipado – foram as forças motrizes primordiais do empreendimento cultural e os mecanismos que impulsionaram o intelecto humano na direção da cultura. Na mesma semana, será publicado o «Livro Português das Fábulas», de José Viale Moutinho. Reunindo 182 fábulas e 38 autores, esta é uma edição exemplar, com ilustrações de época e com breves biografias dos autores registados. Neste volume encontramos um manuscrito do séc. XV, descoberto por Leite de Vasconcelos, assim como escritos de Fernão Lopes, Almeida Garrett, Bocage, Camilo Castelo Branco, Marquesa de Alorna, João de Deus, Trindade Coelho e Fernando Pessoa. Para encerrar o ano, António Luís Marinho e Mário Carneiro lançam «À Lei da Bala - Terrorismo e Violência Política em Portugal no Século XX». Neste livro, os autores traçam a excecional história da violência no século XX, em Portugal, contando ainda com uma conversa com Carlos Antunes, antigo operacional das Brigadas Revolucionárias, entre 1971 e 1974, e líder das FP-25, durante os anos 80.

 O Círculo de Leitores contará com o lançamento exclusivo das Obras Pioneiras da Cultura Portuguesa, Biblioteca fundamental da língua e da cultura portuguesa, cuja divulgação se iniciou a 1 de setembro.
«Os Corpos», de Rodrigo Magalhães, é o primeiro livro a ser publicado pela Quetzal na rentrée. Partindo de uma história manifestamente inspirada no caso Tamam Shud, Rodrigo Magalhães desdobra-a, multiplicando-a por tantas quantas as perspetivas dos protagonistas, das testemunhas, das figuras secundárias, dos figurantes. O resultado é um objeto literário misterioso, inquietante, de uma imensa originalidade, e em que ressoam ecos de Buzatti ou Bolaño. «O Pequeno Caminho das Grandes Perguntas», de José Tolentino Mendonça, será publicado em setembro e tem já lançamentos previstos para Funchal, Lisboa e Porto. Na senda daquilo a que já habituou o leitor em obras anteriores, tanto de reflexão teológica e filosófica como de poesia, José Tolentino Mendonça abre as páginas de um livro singular e corajoso: o das perguntas sobre a nossa vida. No final de setembro, será publicado o muito esperado «O Caminho Imperfeito», de José Luís Peixoto. Entre Banguecoque e Las Vegas, o autor regressa à não-ficção com um livro surpreendente, repleto de camadas, de relações imprevistas, transitando do relato mais íntimo às descrições mais remotas e exuberantes. «O Caminho Imperfeito» é, em si próprio, a longa viagem a uma Tailândia para lá dos lugares-comuns do turismo, explorando aspetos menos conhecidos da sua cultura, sociedade, história, religiosidade, entre muitos outros. Em outubro, chegará pela Quetzal um impressionante relato pessoal, em vinte e três cartas, que nos faz pensar em Dickens transposto para o século XX. «O Livro de Emma Reyes – Memória por Correspondência», de Emma Reyes, relata as memórias da duríssima infância – de abandono e exploração – da pintora colombiana Emma Reyes. É também uma história de superação de inimagináveis circunstâncias por parte de uma mulher conduzida pela sua vontade férrea de liberdade. Neste mês, será publicado o terceiro volume da Bíblia, na tradução de Frederico Lourenço. «Bíblia Volume III – Antigo Testamento: Os Livros Proféticos», é a continuação do trabalho ímpar do helenista e académico, Prémio Pessoa 2016. Além de se tratar de uma nova e mais rigorosa tradução, sem juízos ou inferências de cariz religioso – em algumas passagens, sublinham-se mesmo as diferenças em relação às edições correntes –, Frederico Lourenço eleva o texto bíblico a uma condição literária, incluindo notas que esclarecem e contextualizam o texto original, enriquecendo a nossa leitura. Na segunda quinzena de outubro destaca-se «Silêncio na Era do Ruído», de Erling Kagge, no qual, em 33 tentativas de resposta, o autor oscila entre o meditativo e o prático, num livro pessoal e cheio de donaire. Retirando inspiração de personalidades famosas, como Séneca, Kierkegaard e Rihanna, o explorador, que passou cinquenta dias a andar na Antártida com apenas um rádio avariado por companhia, desconstrói a nossa constante necessidade de ocupação. Chegará às livrarias a «Detetives Selvagens», uma narrativa trepidante de Roberto Bolaño. Esta nova tradução da obra-prima que o autor chileno publicou em vida revela-nos fielmente a essência da sua escrita. Vasco Graça Moura traduz «Sonetos de Petrarca», a uma referência fundamental na literatura ocidental. Neste livro, traduzido por Vasco Graça Moura, podemos ver o que é fundador e o que de mais original existe na poesia deste autor -- referência e modelo para escritores como Dante, Camões, Sá de Miranda, Bocage e Baudelaire. Na rentrée, a Quetzal prossegue as belíssimas reedições dos romances de José Eduardo Agualusa, podendo os leitores contar com mais quatro títulos da bibliografia do autor, cada vez mais relevante, principalmente após a recente eleição em Angola.



Rentrée Literária - 20| 20

Esta é a altura do ano que mais esperamos, nós e todos os leitores que se prezem. Setembro marca a Rentrée e é o momento em que as editoras nos confessam os lançamentos que estavam fechados a sete-chaves até ao final do ano civil. Nós já estivemos a fazer contas à carteira, ao vencimento do mês que vem e ao espaço da estante, porque a 20| 20 não perdoa. Quem é que se junta e vem perder-se connosco às livrarias?




ELSINORE

Depois de Vozes de Chernobyl, A Guerra não Tem Rosto de Mulher e Rapazes de Zinco, a Elsinore prossegue a edição das obras de Svetlana Alexievich, Prémio Nobel de Literatura de 2015. Publicado inicialmente em 1985, As Últimas Testemunhas é um retrato inesperado da II Guerra Mundial, como também era o apresentado em A Guerra não Tem Rosto de Mulher. Desta vez a perspetiva é a das crianças que viveram a Guerra Patriótica da União Soviética contra a Alemanha Nazi, que em 1941 quebrou o Pacto de Não-Agressão e invadiu a Rússia. São cem histórias sem infância, tocantes e impiedosas, vividas num conflito que o olhar inocente da idade não soube entender.

No campo do ensaio, mais duas obras igualmente surpreendentes. Em Ódio à Poesia, o poeta e ensaísta norte-americano Ben Lerner tenta perceber por que razão a arte poética, o poema e o verso desencadeiam reações tão negativas junto dos leitores. «Poesia: que espécie de arte acomoda o desagrado do seu público e que espécie de artista se alinha em defesa de tal desagrado, até mesmo encorajando-o?», questiona-se Ben Lerner. A resposta possível surge nesta centena de páginas, que recolhem exemplos na História da Literatura e na sua experiência autoral.

Com o seu estilo inconfundível – lúcido e provocatório –, Slavoj Žižek escreve sobre o que simboliza hoje, cem anos depois, a figura do principal líder da Revolução Russa e o impacto da sua doutrina ao longo do século XX. Lenine 2017 reúne dois grandes estudos do filósofo esloveno (um a abrir, o outro a fechar) e um conjunto de escritos do próprio Lenine (ensaios, memorandos e cartas).

Merecedor de destaque é também a reedição, em setembro, dos dois ensaios de Yuval Noah Harari publicados pela Elsinore. Sapiens: História Breve da Humanidade e Homo Deus: História Breve do Amanhã figuram há meses nas principais listas de bestseller e chegam agora, respetivamente, à sexta e à terceira edições.

Na ficção, dois romances de língua inglesa. De Inglaterra, o quinto (e mais recente) romance de Helen Oyeyemi, autora da coletânea de contos O Que não É Teu não É Teu (Elsinore, 2016). Rapaz, Neve, Ave é a surpreendente recriação do conto infantil A Branca de Neve, transposto para uma pequena cidade do Massachusetts. Dos Estados Unidos da América, Um dos Nossos é o primeiro (e aclamado) romance de Daniel Magariel, história centrada na relação claustrofóbica e violenta de um pai com os seus dois filhos.
 
CAVALO DE FERRO

Livros resgatados ao esquecimento, reedição de clássicos da Literatura Mundial e apostas em grandes autores da América Latina e do norte e centro da Europa marcam a rentrée da Cavalo de Ferro. Adolfo Bioy Casares, Alexander Kielland, Elias Canetti, Halldor Laxness, Ivo Andrić, Juan Rulfo, Julio Cortazár, Luigi Pirandello, Magda Szabó, Marc Ferro, Mark Twain e Urbano Tavares Rodrigues.

Elias Canetti é um dos autores em destaque na rentrée de 2017 da Cavalo de Ferro. Logo em setembro são lançados dois dos mais significativos títulos do romancista e ensaísta de origem búlgara, nascido em 1905 e falecido em 1994. Massa e Poder, agora em segunda edição, foi considerado em 2014 um dos livros do ano pelos jornais Expresso e Público. Para analisar o homem e a sociedade ao correr dos séculos, Elias Canetti conjuga várias áreas do saber, desde os mitos às posturas corporais do homem, passando pela inflação e o moderno sistema parlamentar. Igual erudição sobressai em A Consciência das Palavras, coletânea de ensaios em que Canetti passa em revista autores de referência da Literatura, Filosofia e Política do século XX.

Na ficção, três escritores de peso. Julio Cortázar, com Octaedro, um dos livros de contos mais emblemáticos do escritor argentino. Como o próprio título sugere, reúne oito histórias curtas. Nos interstícios da realidade nascem aventuras improváveis: um rosto refletido numa janela que desencadeia um sentimento amoroso, mortos que voltam a morrer, personagens irreais que procuram dolorosas mentiras. Publicado originalmente em 1974, está inédito em Portugal.

O centenário do nascimento de Juan Rulfo tem sido um excelente pretexto para se regressar à obra de um dos mais influentes escritores do século XX. Depois do relançamento de Pedro Páramo e A Planície em Chamas, já nas livrarias, em setembro será publicada a edição mais recente, completa e rigorosa de O Galo de Ouro, com fixação do texto corrigida pela Fundação Juan Rulfo. O volume é enriquecido com vários ensaios introdutórios.

Com A Porta a Cavalo de Ferro dá início à publicação dos romances de Magda Szabó, nome central da Literatura Húngara, de quem também se celebra, em 2017, o centenário do seu nascimento, os dez anos da sua morte e os trinta desta ficção. A Porta foi a obra que projetou Magda Szabó internacionalmente no início dos anos 2000, em parte devido ao Prémio Fémina que recebeu em França. A recente tradução inglesa, prefaciada por Ali Smith, voltou a chamar a atenção para esta escritora singular que chegou a ser considerada «inimiga do Estado» por não seguir o Realismo Social imposto pelo regime, acabando impedida de publicar durante dez anos. Escrito em tom confessional e vagamente autobiográfico, A Porta narra a estreita relação que se estabelece entre duas mulheres na Hungria do pós-guerra: Magda, uma jovem escritora, e a sua empregada, Emerence, uma camponesa analfabeta.

  
TOPSELLER

Estreia também para a britânica C. L. Taylor, autora de thrillers psicológicos traduzidos em mais de 20 línguas. Em Fuga é um thriller perturbador e vertiginoso, onde um simples pedido de boleia se irá transformar, rapidamente, num pesadelo.  
Do carro, para o comboio, saltamos para o primeiro livro do catálogo no género Terror, e o primeiro editado sob a nova subchancela da Topseller, pensada para o público jovem adulto, Topseller#Bliss. O Comboio Errado, do britânico Jeremy de Quidt, é um livro inovador e de provocar arrepios.
Também presença inédita no catálogo, Benjamin Alire Saénz oferece, em A Lógica Inexplicável da Minha Vida, um olhar intenso sobre a vida emocional dos jovens na entrada para a idade adulta. Alire Saénz é um aclamado poeta e um escritor multipremiado, e os seus livros já lhe valeram, entre outras distinções, o American Book Award, o PEN/Faulkner Award, o Stonewell Award e o livro de honra do Michel L. Print Award.
Para os amantes da literatura fantástica, Normal é o livro a não perder. «Normal olha para o abismo e encontra o futuro.» - The New York Times. Warren Ellis é um escritor, guionista e autor de banda desenhada inglês. Em setembro, chegam ainda às livrarias, entre outros: Jennifer Ashley, com A Mulher Perfeita para o Duque (Ficção Romântica), Lisa Renee Jones, com Perdida em Mim (Romance Erótico), Coleen Oakley, com Perto de Mais (Ficção Romântica), James Patterson, com Private Paris (Policial), Elizabeth Chadwick, com Leonor de Aquitânia: O Trono do Outono (Romance Histórico)


VOGAIS

Setembro é um mês no qual as obras de não-ficção ganham especial relevo, com destaque para: Vidas Frágeis, Delírio Total: Hitler e as Drogas no Terceiro Reich, Os Diários da Princesa, de Carrie Fisher, e Miguel& Sinatra: Uma Amizade Especial.

Delírio Total: Hitler e as Drogas no Terceiro Reich, de Norman Ohler, é um dos livros mais cativantes de não-ficção editados em 2017, em Portugal. Romancista premiado, argumentista e jornalista alemão, Ohler passou cinco anos a pesquisar para Delírio Total em numerosos arquivos na Alemanha e nos Estados Unidos, e falou com testemunhas, historiadores militares e médicos. Delírio Total: Hitler e as Drogas no Terceiro Reich é, por isso, o resultado de uma investigação meticulosa que expõe uma perspetiva surpreendente da Segunda Guerra Mundial: a elevada dependência de drogas da Alemanha nazi.  O uso promíscuo de drogas, inclusive ao mais alto nível, também afetou a tomada de decisões, com Hitler e o seu séquito a refugiarem-se em cocktails de estimulantes potencialmente letais, administrados pelo médico Theo Morell, incapazes de reverter o curso da guerra, que se virava contra a Alemanha. Embora as drogas por si só não possam explicar as tóxicas teorias raciais dos nazis ou os acontecimentos da Segunda Guerra Mundial, esta descoberta leva-nos a ver os crimes de guerra cometidos contra a humanidade a uma nova luz. Delírio Total é, assim, uma peça crucial para entendermos a História mundial.

Carrie Fisher, a eterna Princesa Leia na série Star Wars, faleceu em Dezembro de 2016, deixando uma legião de fãs do cinema, e da Saga Star Wars em particular, em estado de choque. Mas antes de partir, Carrie Fisher deixou este divertido, hilariante e memorável Os Diários da Princesa, livro que proporciona uma visão perspicaz do tipo de estrelato que poucos alguma vez viverão.
Os excertos partilhados n’Os Diários da Princesa são uma lembrança íntima e reveladora do que aconteceu no set de um dos mais famosos filmes de sempre — e o que se passou nos bastidores. É também uma reflexão sobre as alegrias e a loucura da celebridade, e o absurdo de uma vida nascida na realeza de Hollywood, ultrapassada pela sua própria realeza numa galáxia distante.


Vidas Frágeis, um livro poderoso e incrivelmente tocante, que proporciona uma visão excecional de como é sentir o coração de alguém nas mãos. O autor, Stephen Westaby, é reconhecido por ter sido o primeiro cirurgião cardiotorácico a adaptar um novo tipo de coração artificial para um paciente, mostrando que os humanos não necessitam de pulsação na sua circulação.
Miguel&Sinatra: Uma Amizade Especial é, também ele, um livro especial. A vida de Miguel podia ser mais uma história de amizade entre uma criança e o seu cão. Mas é muito mais do que isso. A vida de Miguel é uma emotiva história de superação aqui contada pela mão da jornalista Mónica Menezes e por relatos na primeira pessoa dos pais e de outros protagonistas que contribuíram para que Miguel seja, hoje, feliz.

NASCENTE

LAGOM (pronuncia-se law-gum) não é apenas uma palavra difícil de pronunciar. É o segredo que explica o estilo de vida dos suecos: consciência social, moderação e sustentabilidade: a medida exata, o valor justo, o suficiente. Uma forma de ver a vida que tornou a Suécia, segundo o Fórum Económico Mundial, o melhor país em praticamente tudo.  Lagom: A Arte Sueca para uma Vida Equilibrada é um livro prático onde todos podem aprender esta filosofia de vida.

E, mantendo o tema da frugalidade, há mesmo quem defenda que é no minimalismo que encontramos a felicidade. Fumio Sasaki nasceu em 1979, em Kagawa, no Japão. É coautor do blogue Minimal & ism, sobre o minimalismo, e vive segundo os seus preceitos, num apartamento de 22 metros quadrados, em Tóquio, mobilado apenas com uma pequena caixa de madeira, uma secretária e um colchão desdobrável. Sasaki não é um guru do minimalismo, é apenas uma pessoa normal que levava uma vida stressante e se martirizava com a constante comparação com os outros. Até que um dia decidiu mudar de vida, dizendo adeus a todas as coisas que acumulou durante anos, mas das quais efetivamente não precisava. Em Adeus Coisas, o autor partilha a sua experiência pessoal com o minimalismo, revelando dicas sobre o processo e mostrando como este movimento pode transformar o nosso espaço e, principalmente, enriquecer a nossa vida.


OUTUBRO
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ELSINORE

Em outubro, três ficções de outras tantas geografias e idiomas. How To Be Both, o romance mais galardoado de Ali Smith, que recebeu o Baileys Women's Prize for Fiction, o Goldsmiths Prize e o Costa Book Awards, tendo sindo finalista do Folio Prize e do Man Booker Prize. Nele se confrontam as perspetivas muito diversas de duas personagens: a de uma rapariga de 16 anos da Cambridge dos nossos dias e a do pintor renascentista Francesco del Cossa.

De Samantha Schweblin, o seu primeiro romance, Distância de Segurança. Nascida em Buenos Aires, em 1978, a escritora argentina começou por se destacar no conto, enquanto herdeira e renovadora dos grandes mestres do seu país (Jorge Luís Borges e Julio Cortázar). Distância de Segurança é um romance de mães e filhos, terrores e almas transmigradas, tudo cosido com uma força narrativa que conquista do leitor desde a primeira página.

Da Dinamarca chega o terceiro romance de Josefine Klougart. Um de Nós Dorme foi finalista do Nordic Council Literatura Prize e muito bem-recebido pela crítica. Perda, dor, lamento, esperança e redenção conjugam-se numa viagem pela vida de uma mulher. Sem cronologia linear, vai do presente para a sua infância, das paixões à maternidade.

Na área da não-ficção, a Elsinore lança em outubro O Que se Vê da Última Fila, de Neil Gaiman. Conhecido pelas suas inúmeras criações no romance, cinema e BD, Gaiman revela-se um espectador apaixonado e um crítico arguto. Esta coletânea de textos dá ainda a conhecer as suas paixões, influências e opções artísticas, com passagens por Bradbury, Dave McKean, Lou Reed, Lovecraft, Poe, Rudyard Kipling, Stephen King, Tolkien e Wells.


CAVALO DE FERRO

Em mês de outro centenário – o da Revolução Russa de 1917 – a Cavalo de Ferro recupera Viagem à União Soviética, de Urbano Tavares Rodrigues, publicado em 1973 (primeira e segundas edições) e 1974 (terceira edição, depois do 25 de Abril) e desde então esquecido. Nestas páginas lê-se a crónica de uma descoberta, de um entusiasmo (com a ideologia comunista), de uma lucidez (na observação) e de uma enorme independência de espírito. O volume é prefaciado por José Neves, historiador e estudioso do século XX. 

Outubro é, de resto, mês para grandes reedições, incluindo as de três autores distinguidos com o Prémio Nobel de Literatura: Ivo Andrić, com A Ponte sobre o Drina; Halldór Laxness, com Gente Independente e O Sino da Islândia; e Luigi Pirandello, com Um, Ninguém e Cem Mil.

De regresso às livrarias estará ainda Adolfo Bioy Casares, engenhoso escritor argentino, um dos mais importantes do século XX, vencedor de inúmeros prémios nacionais e internacionais. Novas edições de O Sonho dos Heróis e Plano de Evasão. De Alexander Kielland, nome maior da Literatura Escandinava, a Cavalo de Ferro publica Garman & Worse – Um romance norueguês. Anticlerical, pró-feminista, crítico e cheio de sentido de humor, este romance – o primeiro do autor – retrata duas famílias e as suas relações humanas e sociais.


TOPSELLER

Sem batalhas épicas, mas com muito amor no ar, chegam às livrarias os romances Estou Aqui, da autora francesa Clélie Avit, traduzido em mais de 25 países, e A Livraria dos Destinos, da britânica Veronica Henry. Matt Haig vai surpreender com o muito elogiado Como Parar o tempo, já vendido para 24 países. Como Parar o tempo é uma história original e emocionante sobre perder e encontrar-se e sobre os erros que estamos condenados a repetir. É sobre as vidas que podemos levar a aprender a viver. E o desejo de esquecer.
O Policial e o Thriller, géneros tão caros aos leitores portugueses, estarão muito bem representados pela americana Riley Sager, com o super elogiado Vidas Finais: As Sobreviventes, pelo sueco Håkan Nesser, com A Próxima Vítima, o multipremiado islandês Ragnar Jónasson, com Noite Cega, e o britânico M.J. Arlidge, com Mal Me Quer.

VOGAIS

A ressalva é feita logo no título: Isto Não É Um Livro de Receitas. Depois de Com o Humor Não Se Brinca, livro que reúne entrevistas aos principais humoristas portugueses e que resultou no podcast mais popular da atualidade, o jornalista Nelson Nunes volta à carga, desta vez com um livro que reúne conversas com vários chefs portugueses, ou a trabalhar em Portugal, todos galardoados com estrelas Michelin. Susana Felicidade, Rui Paula, José Avillez, Henrique Sá Pessoa, Marlene Vieira, Vítor Sobral e tantos outros chefs levam-nos até ao fascinante mundo da gastronomia que se pratica em Portugal, revelando as suas técnicas, preferências e rivalidades.
Holocausto: Uma Nova História. Perde-se a conta aos livros que já foram escritos sobre o Holocausto. A credibilidade do autor revela-se, por isso, essencial no momento da escolha. Laurence Rees, que passou 25 anos a entrevistar sobreviventes e responsáveis pelo Holocausto, é um dos poucos a quem se pode atribuir genuína fiabilidade nos factos que apresenta. Elogiada pelos pares, a nova obra do historiador britânico, Holocausto: Uma Nova História, conjuga esses testemunhos com a mais recente pesquisa académica sobre o tema, apresentando o primeiro relato acessível e fidedigno do Holocausto em mais de três décadas. Nesta verdadeiramente nova e inédita história do Holocausto, Rees cria uma narrativa vertiginosa que contém testemunhos nunca antes divulgados, enquadrando-os no contexto da análise do processo de decisão do Estado Nazi. Contudo, não cinge o seu estudo ao universo alemão, abrangendo todos os protagonistas que participaram nas perseguições e mortes e espalharam o horror por todo o continente europeu, não apenas entre os judeus, mas incluindo homossexuais, ciganos e deficientes.



NOVEMBRO
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ELSINORE

Mais ficção no final do ano editorial da Elsinore. A Dança do Rapaz Branco, de Paul Beatty, autor de O Vendido, vencedor do Man Booker Prize do ano passado. Neste primeiro romance do escritor norte-americano já estão presentes os ingredientes que o têm singularizado no contexto da Literatura anglo-saxónica: escrita versátil, do erudito ao calão, humor subtil e inesperado, e uma atenção especial aos temas da raça e da condição afro-americana. Num passe de dança, um rapaz muda-se de Santa Monica para Los Angeles e do anonimato para a fama. Mas, como se sabe, nada dura para sempre.

Também do universo anglo-saxão, mas do País de Gales, Cynan Jones volta a mostrar a sua delicadeza literária em A Baía. Apanhado numa tempestade e fulminado por um relâmpago, um homem tenta regressar a terra e perceber quem é. Parágrafos curtos, frases esculpidas, indagação da alma.

Antes do seu primeiro romance, Yoro, vencedor do prestigiado Premio Sor Juana Inés de la Cruz, da Feira Internacional do Livro de Guadalajara, Marina Perezagua lançou dois volumes de contos, Criaturas Abisales e Leche, que estão na base da antologia que a Elsinore publicará em novembro. Histórias curtas de amor e ódio, desejos e medos ancestrais. 

Por último, no ensaio, o olhar sempre esclarecido e conhecedor de Noam Chomsky sobre os desafios do nosso tempo. A ascensão do neoliberalismo, a crise dos refugiados e as últimas eleições americanas são alguns dos temas abordados nas entrevistas reunidas em Optimism over Despair.


CAVALO DE FERRO

A duração imprevista da Primeira Grande Guerra, a afirmação do nazismo, o extermínio dos judeus, o Maio de 68, a queda do Comunismo, os ataques de 11 de Setembro de 2001, a crise financeira do subprime de 2008, a ascensão do islamismo radical: por que razão somos tão cegos perante a realidade? Os indícios estão lá, mas o olhar não atenta. É sobre esta incapacidade de ler o passado, o presente e o futuro que se debruça Marc Ferro, um dos grandes historiadores do nosso tempo. A Cegueira propõe uma outra história do nosso mundo para percebermos por que razão assistimos incrédulos ao despoletar de crises, ao eclodir de tragédias e ao desenrolar de convulsões sociais, sem que líderes políticos e cidadãos comuns consigam ver e interpretar os factos que, contudo, se repetem diante dos seus olhos.

O destaque dado à obra de Elias Canetti é retomado em novembro com o primeiro volume da trilogia A Língua Resgatada. Relato autobiográfico, dá a conhecer a educação típica de um jovem nascido numa família de judeus sefarditas. O cruzamento de incidentes privados e acontecimentos mundiais faz deste livro um autêntico fresco das primeiras décadas do século XX. 

Excertos dos Diários de Adão e Eva, reunião de dois divertidos contos humorísticos de Mark Twain, encerra o ano editorial da Cavalo de Ferro.


TOPSELLER


Depois de Fialho Gouveia, Biografia Sentimental, homenagem a seu pai, e os bem-sucedidos romances históricos D. Francisca de Bragança, A Princesa Boémia, As Lágrimas da Princesa, Inês, Sob os Céus do Estoril e Um Romance entre Espiões no Estoril da II Grande Guerra, Maria João Fialho Gouveia, inspirada num dos mais importantes episódios da História política de Portugal, traz-nos Maria da Fonte, Rainha do Povo.


Chris Carter e Tom Fox regressam com novos e intensos thrillers e a temperatura vai aquecer com novo romance erótico de Lisa Renee Jones. Novos nomes na literatura fantástica, romântica e traduzida vão encerrar o ano editorial com boas surpresas.

  
VOGAIS


O espaço nas prateiras, das lojas e das cozinhas, nunca é demais para sugestões de fazer crescer água na boca. Aqui ficam algumas que vão fazer as delícias de miúdos e graúdos: Snacks Energéticos; Dieta Alcalina: Plano para uma Vida Mais Saudável; Grão a Grão: Técnicas e Receitas para Cozinhar com Super Grãos; 500 Receitas com Poucos Hidratos; 500 Receitas para as Crianças Fazerem; A Cura Alcalina: O Plano alimentar Rejuvenescedor em Apenas 14 dias.  



INFANTOJUVENIL ­— SETEMBRO | OUTUBRO | NOVEMBRO

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FÁBULA


Um dos grandes destaques é o lançamento de um clássico da literatura infantil, escrito e ilustrado por Judith Kerr, uma das autoras mais admiradas e populares no Reino Unido. Mog é uma coleção dirigida ao público pré-escolar, protagonizada por uma gata muito distraída e brincalhona. Até novembro serão editados quatro títulos: Mog, a Gata EsquecidaMog e o BebéMog e o Coelhinho e O Natal da Mog.

Nesta rentrée, a Fábula prossegue a publicação de outro nome maior da literatura infantil, Dr. Seuss, autor publicado em mais de 30 línguas. Oh, Até onde tu podes chegar foi a último obra que o escritor norte-americano publicou em vida. Pela sua mensagem inspiradora transformou-se no livro que se oferece a todos os finalistas do ensino secundário dos EUA. De Dr. Seuss, vencedor de inúmeros prémios, incluindo o Pulitzer, publica-se ainda Um Peixe, Dois Peixes, Peixe Encarnado, Peixe Azulado, com rimas e brincadeiras à volta de animais de todos os feitios.

Na coleção «Tesouros da Literatura», que tem como objetivo recuperar grandes clássicos de autores nacionais e estrangeiros, quatro obras de todos os tempos e para todas as idades: Contos Escolhidos de Oscar WildePeter Pan, de J. M. BarrieAs Aventuras de Tom Sawyer, de Mark Twain, e Annie, de Thomas Meehan.

Mais lançamentos, também, na coleção Pé de Pato, dedicada a textos curtos para pequenos leitores (contos, fábulas, poemas, lengalengas, rimas e adivinhas). Há Dias Assim, de Margarida Fonseca Santos, com uma história sobre os laços fortes que se criam entre homens e animais; Giganteiras Miniaturas, de José Dias Pires, com criaturas fantásticas e surpreendentes; e Vinte Fábulas de La Fontaine, de José Jorge Letria, com a recriação de algumas histórias muito conhecidas do escritor francês.

De regresso às livrarias, a série Matilde, de Mary Katherine Martins e Silva, vai continuar a acompanhar o crescimento dos mais novos. Depois dos primeiros quatro números da coleção, lançados no primeiro semestre, saem nos próximos meses dois livros: Matilde Descobre a Arte e Matilde Tem Muitos Amigos. Cada volume incluiu um guia para pais, escrito pela autora, com sugestões para uma abordagem mais divertida e interativa da história.

Entre muitos outros lançamentos, destaque-se, ainda, Ter um Irmão É, de Lara Xavier (textos) e Paulo Galindro (ilustração), que surge na sequência de Ter uma Irmã É, editado em maio deste ano. O espanto, a amizade e rivalidade entre irmãos continua, agora com novas aventuras. E os álbuns ilustrados O Urso e o Piano, de David Litchfield, e Há um Tigre no Jardim, de Lizzy Stewart, ambos vencedores do Prémio de Melhor Livro Ilustrado da Waterstones. 


BOOKSMILE

Viajamos já até novembro para anunciar um dos grandes lançamentos de 2017. Dia 07 de Novembro chega às livrarias o 12.º livro de O Diário de um Banana, coleção muito perto de atingir o redondo número de 1 milhão de exemplares em Portugal. O Diário de um banana 12: Põe-te a Milhas irá, sem dúvida, escalar o Top de vendas nacional, à semelhança do que tem acontecido nos últimos anos. Afinal de contas, o Greg rula!

E se o Greg decide pôr-se a milhas, já O Bando das Cavernas diz presente. Com o lançamento de O Bando das Cavernas 19: Que Susto!, a coleção imaginada por Nuno Caravela (texto e ilustração) tem-se revelado um verdadeiro sucesso entre as crianças, somando já 240 mil exemplares. Entre muitos outros lançamentos, LEGO, As Aventuras da Ladybug e Minecraft são algumas das importantes licenças que também ganham vida nos livros até ao Natal. Com carimbo português, chegam ainda às livrarias Aqui dél Rei: Todos os Reis de Portugal num Só Livro, de Paula Fernandes, e Vamos Conhecer os Alimentos
, da nutricionista Mariana Abecasis.